Publicado em FILOSOFANDO

Primeira Lei de Newton

“Lei I: Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças aplicadas sobre ele.”

Nunca somos um eu só, nunca somos um eu coerente, sempre constante, às vezes nem somos quem gostaríamos de ser.

Vivemos em contradição, vivemos na busca por um sentido pra tudo, na busca pela razão. Queremos estar inseridos em algum canto do mundo. Queremos ser amados, respeitados ou temidos, queremos de alguma forma estar na lembrança das pessoas, buscamos ser reconhecidos, celebrados, mesmo que seja apenas de forma virtual nas redes sociais. Ansiamos para que nos curtam, comentem nossas vidas, compartilhem de nossos gostos, que nos insiram em seus círculos, que sigam nossas ideias.

Mas somos realmente quem queremos ser? Deixamos que vejam quem realmente somos? Ou nos deixamos levar pelas expectativas alheias a nosso respeito? A fazer o que esperam que faremos? Ou fazer o que os outros acreditam que seja o melhor? Os seus sonhos são realmente seus?

Ninguém faz nada que não queira, não adianta dizer que não se tem escolha, sempre poderemos optar. Mas vivemos paralisados dizendo sim quando deveríamos dizer não, com receio do que vão pensar, do que vão dizer. Para não magoar nos magoamos, para não errar não fazemos, para não parecer fraco demais não choramos. Vamos deixando que a inércia tome conta dos nossos dias, e continuamos sentados reclamando da vida, questionando a sorte, exigindo mais movimento, mas não nos movemos, continuamos ali sentados, petrificados no mesmo canto, contando as mesmas histórias. Vemos a vida passar por entre os dedos, os dias correrem apressados nas folhas do calendário, vemos o nosso corpo clamar cansado por mais feriado.

Haverá sempre o dia em que você se cansa, e cansa de ser o você que todos esperam que seja, e chega o dia em que se faz tudo o que se deseja, sem ter que se preocupar, com o que vão pensar ou dizer. Criam tanta expectativa no nosso sucesso, ou no nosso comportamento, que não nos permitem mudar, é uma pressão sem palavras, silenciosa e amarga que nos prendem em vontades alheias e em expectativas sufocantes. Ás vezes dá vontade de fugir e fazer alguma loucura impensada, sair de repente no desconhecido, a esmo. Mas continuo aqui, nessa acomodação temporária, sentada no próprio quarto reclamando da pressão de ser um eu desconhecido e de jogar no mundo a responsabilidade de manter as amarras. Sendo ao mesmo tempo cárcere e carcereiro, mantendo as janelas fechadas, não se permitindo voar alto, fugindo do salto, das decisões, fugindo da vida.

Mas haverá esse dia e eu vou parar de procurar por uma Força externa que me movimente a vida e que faça meu mundo girar. Vou fazê-lo girar com minhas próprias pernas  sair do repouso e ficar inerte num movimento constante.