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Ainda somos os mesmos

“Minha alma
Sabe que viver é se entregar
Sabendo que ninguém pode julgar
Se teve que olhar pra trás ou não”

Meu Sol – Vanguart

De vez em quando minha mãe confidencia que meu pai se pergunta se ele fez bem em me fazer sair de casa tão cedo e ele sempre tenta se convencer que foi para o meu bem, pois bem aqui está a minha resposta.

Se não fosse esse primeiro empurrão talvez eu não teria amadurecido tanto e nem feito tudo o que fiz. Todo esse processo foi escolha minha também, claro que doeu bastante, mas estava e ainda está claro que eu precisava ir, descobrir por mim mesma meus caminhos, minhas escolhas e sentir as consequências. Talvez faça parte da construção da minha identidade estar sempre longe de todo mundo que eu amo, mas ao mesmo tempo aprendi que não importa distância, tempo, lugar eu sei que o amor não muda e além disso traz confiança para seguir em frente mais focada no que é realmente importante.

Quando a gente toma distância, conseguimos ver melhor as pessoas que amamos, entendemos alguns vícios que o convívio cega, entendemos melhor nossa própria individualidade e a do outro, mas a distância acaba quando temos a certeza do amor e da confiança que a família dedica pra você.

Hoje eu tenho a idade que meu pai tinha quando eu nasci, e eu sei o quanto seus sonhos foram renunciados para nutrirem o meu, para me educar, todo esforço para que eu seja feliz e a isso sou grata e é por isso que não abdico dos meus sonhos, porque de certa forma são os mesmos que foram nutridos antes de eu nascer, apenas estou continuando a caminhada que esteve em pause, somos todos de certa forma a continuação de toda a história de antes.

Então pai, obrigada por ter feito eu sair de casa tão cedo, essa única escolha que fizemos foi fundamental, para tudo o que conquistamos até hoje. E eu tive o privilégio de conviver diariamente com o Santo Carneiro e a Dona Menina por 5 anos, e foi incrível tudo o que dividi e aprendi com eles, lembranças que não teria se não tivesse ido, valores que não se aprende na zona de conforto, cruzando os mesmos caminhos e com medo dos grandes saltos que temos que dar. Hoje, é mais fácil ser o que sou, andar ou fazer grandes mudanças, porque fui preparada desde cedo a seguir e enfrentar porque distância não é nada e faz a presença muito mais aproveitada.

Feliz Aniversário,

Da filha orgulhosa por ter tido a graça de ter um pai, que respeita e incentiva todas as loucuras. E como o senhor sempre diz sobre sermos andorinhas construindo nossos próprios verões, aqui estou cumprindo o meu destino.

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