Publicado em CONFESSIONÁRIO

Enquanto há vida, o que importa?

Dos sonhos confusos que fazem das noites tormentas. Despertam! Desperta! Acorda! Da queda de onde há vida! Dói! DÓI MUITO! Sinta! Grite! Clama ! Chora! Chore o que for de chorar, a dor que estiver em chamas, a carne viva que inflama. SINTA ! Confusa, confunda, saia desse sonho que te embriaga, escapa desse torpor que te renuncia. VIVA!

O que importa?

O que suporta?

O que comporta?

Desperta a verdade que incomoda, estampa na tua cara o medo que te sufoca, abraça a saudade que não te deixa dormir. Abra os olhos, cante, dançe sobre os teus próprios escombros, a noite fria que te sussurra lamentos uma hora passa. Dê o seus próprios passos, salte, corra.

Abra as janelas, sinta o calor te abraçar, de tudo o que foi, de tudo o que restou, de tudo o que virá! Ainda há vida, ainda pulsa teu peito.

RESPIRA!

RESPIRA FUNDO!

Publicado em FILOSOFANDO

Ser enquanto vamos sendo….

Adoro observar as pessoas quando fico em estado de espera (é mais fácil estar atrasada, mas…), fico imaginado como elas pensam, quais os seus sonhos, o que elas esperam da vida. Gosto de observar seus gestos, como conversam e isso sempre me distrai, me tiram da agonia da espera. Sempre fui só, não por falta de amigos ou por não gostar de estar com eles, é que sempre tive uma conversa infinita na mente e acabava tragada nos meus próprios pensamentos.
Agora que me percebi viva nesse mundo enorme, tento interagir mais e não apenas observar, nem me fechar para os amigos, agora tô falante, converso com desconhecidos, em bancos, paradas de ônibus, filas e em qualquer lugar burocrático onde a espera interminável reina. Gosto desse contato com outros mundos, outras cabeças, com velhinhas gentis com um cotidiano manso…
Passei anos sem dizer o que realmente sentia, com medo de ser, medo da não aceitação dos outros, mas vi que tudo isso era por causa de um detalhe que eu não queria ver, eu não me aceitava, nem tinha coragem de aceitar minha estranheza, minhas loucuras do jeito que são, seguia tentando me encaixar nessa bagunça, vivia com discursos soltos sem prática. Depois de tanta tempestade na minha cabeça, agora não me calo com minhas opiniões, exponho, às vezes mudo de ideia, às vezes não mudo, estou reduzido o discurso e me preocupando com a prática, sem pressa, com uma coisa de cada vez, entendo que cada um tem seu ponto de vista, tem uma opinião e que não há nada certo nesse mundo. E cada um no caminho que acredita, que seja melhor para si. Defendo o que acredito com fervor, não para obrigar ninguém a seguir, nem atacar, mas reafirmar para mim, que a minha vida tem que ser resultado daquilo que eu acredito e de vez em quando temos o direito de mudar, e as opiniões podem não ter a mesma certeza, que estamos evoluindo e mudando os pontos de vista
E reconhecer o seu EU e respeitar a sua essência é se permitir a mudança que a vida traz e abraçar sem medo.

Publicado em FILOSOFANDO

Where you come from? Where you going?

Tarde quente com sol numa carona no meio do nada, no rádio Venice Queen do Red Hot e naquele carro com o mesmo estofado do Escort a playList favorita dos quinze anos ecoa….

Does it go from east to west
Body free and a body less

Sentimentos para além do que os ouvidos podem ouvir e cada pedaço da letra chega e transporta em seus acordes a vibração certa para os pensamentos seguirem em uma nova direção e cada palavra surge como conselhos de um tempo passado, forçando a refletir sobre o que esperar desse presente no futuro.

Come again just to start afresh
Once again to find a home
In the moment of the meantime

Escolhemos ou as escolha nos fazem? Queremos ou nos iludimos num querer superficial?  No meio da confusão, quem somos? O que nesse espaço de tempo é a vontade de apenas ser o que se é?

Dropping in coming through the mesh, you’re
Checking in just to get it blessed, you all

Quando se rema para longe do que é intrínseco, da vida que se deve viver, sentimos arrastar as correntes da angústia, do medo, da falsa paz sufocante que engana, enreda como mágica os frágeis e complexos seres sem luz.

Hard to leave when it’s picturesque and
Find a form that’s free to roam

Do impulso de ir, a vontade de continuar, e girar em si mais um passo na direção da estrada infinita do que virá… Quando a resposta é sim para o que mais se deseja, porque o medo de continuar?

Where you come from…. Where you’re going….

Não há mais nada, nada que prenda, nada que segure se teu destino é ir…Vai! É só seguir… Vai na fé!

Publicado em DIÁRIO DE BORDO, DIÁRIOS DE VIDA

Amanheceu….

Quando este post sair, vou estar viajando, voando rumo ao sul, como os pássaros migrantes, procurando novos verões para construir.

Passei a tarde andando pelo centro de Teresina, suando, com calor, mas tudo parecia tão bonito, tão calmo, tão quente e confortável. Pelos caminhos conhecidos que o escort sabe decorado, as ruas, avenidas, nos abraços familiares, nos guiamos com segurança, neste último dia desse ciclo que se encerra.

Atirei me no abismo e mais uma vez Teresina e seu horizonte brilhante fica para trás, e em mim amanhece raios de sol que guiam minhas asas para armar meu ninho em um novo lugar.

Amanheci para um novo horizonte …

Publicado em COISAS DO MUNDO, FILOSOFANDO

Deixa ser, deixe estar…

Quando pensamos demais, ou racionalizamos demais todas as coisas, vamos contaminando a mente com ilusões, com falácias, vamos tentando controlar tudo o que acontece na nossa vida. E aí reside toda sorte de comportamentos negativos, das decepções, dos mal entendidos. Sempre julgamos com as lentes sujas, cheias de ego e de orgulho ferido. Quando se pensa, pensa e pensa que se sabe alguma coisa de si, da vida ou dos outro, sofre, sofre por ter que encarar que na realidade é só mais uma pessoa solitária e perdida na imensidão.

Deixa ser, deixe – se, descontrole-se!!

Deixa as pessoas e você serem o que são, sem tantos julgamentos desnecessários. A pessoas não precisam ser adivinhadas ou descobertas, basta compreensão daquilo que se é, sem ilusão, sem muitas expectativas ou rótulos.

Só a vida a fluir como é…Em todas as dimensões.

Publicado em FILOSOFANDO

No labirinto de Escher

Às vezes padecemos na nossa própria loucura, deixamos que ilusões doentias tomem conta da nossa razão. Percebemos nossa humanidade errando, reencontrando nossa fragilidade em dias confusos e pertubadores, quando a sanidade mostra sua face insana. E Mesmo quando a vergonha, nos humilha e a culpa nos corrói,  somos obrigados a continuar, a pagar o preço pelos nossos equívocos. Temos que mostrar nossa face nua, humana e cheia de contradições, não adianta se esconder, não adianta fugir, nossos fantasmas nos perseguem.

A nossa mente se contamina com seus próprios venenos, ela nos corrompe, nos trapaceia. Mostra verdades inexistentes, constroí castelos de ar e cria realidades alternativas. Somos conduzidos por ela a escuros labirintos solitários cheios de angustias, medo e dor. A dor de vencer seus próprios monstros, é a mais pesada, mais pertubadora e constante.

Parecemos estar presos numa obra de Escher, onde nada é o que parece ser, não há caminhos certos ou errados é só a ilusão que reina e o impossivel que se apresenta como uma possibilidade controversa, onde nossos sentidos são enganados e os nossos olhos cegos.

Publicado em DIÁRIOS DE VIDA

Minha Inércia no movimento constante

Inércia - s.f. 1.Fís. resistência que a matéria oferece à aceleração. 
2.quím. propriedade que possui uma substância de não reagir em contato com outra.

Do último texto aqui escrito até agora foram quase 3 anos. Entrei num redemoinho confuso e escuro de uma tempestade que hoje, são apenas lembranças de um dolorido processo de autoconhecimento. A tempestade começou se esvair aos poucos durante o tratamento da minha crise de ansiedade, em que fui obrigada a lidar com meus fantasmas, entre ansiolíticos, diários de sono, infindáveis desabafos em cartas para um eu despedaçado, além de seções na psicóloga acompanhada das pernas que não paravam de sacudir, fui obrigada a desacelerar, a reconsiderar minhas crenças deturpadas, a perceber quão tóxica eu estava sendo pra minha saúde, quão isolada do mundo eu estava me tornando, quão arisca eu estava, quanto o medo tinha me transformado em uma fantasmagórica figura eremita.

Houve um tempo de obsessões que eu sentia a necessidade de controlar tudo, de ter tudo sob a minha supervisão de gostar das coisas com tanto fervor como se fosse a última coisa que eu teria naquela hora, de punhos cerrados, presa em apegos infindáveis, perdida em certezas indeléveis, trancada na ilusão de ser o que o mundo diz ser legal. Ansiosa, obsessiva, compulsiva, vagava como um ser errante calada, nas minhas próprias celas, pairava afogada em amores platônicos, em desejos sufocantes, cega e sem amor próprio, ansiando pela aprovação alheia, acelerada, urgente.

Tinha pavor de ser julgada por aquilo que era e pelo que não era, pela minha loucura intrínseca, pelos desejos instintivos, pela minha face nua sem fantasias, pela aparência efêmera que carregava no momento. No fim, depois de reclusa dentro da minha loucura, me vi, perdoei, me enxerguei, sem véus, sem camadas, estou nesse mundo para dar cara a tapa, mas não foi uma resolução de um dia para o outro, foram três anos de um processo dolorido, pra todos a minha volta, para minha vida acadêmica, para a minha saúde, para minha sanidade, mas que no fim realmente me libertou. Sinto –me LIVRE 

Dos punhos cerrados, lentamente estendi minha mão para a vida, para o acaso, outras possibilidades, para o amor genuíno, para novas realidades, hoje me sinto viva, tranquila, sem sobressaltos, na época acreditava que nunca teria paz, que sempre seria um sufoco atrás do outro, que a vida TINHA que ser assim, TINHA que ser de acordo com minhas ilusões, minha expectativas. Ah! e como eu estava errada! Como me guiei por falácias distorcidas! Como é bom viver serenamente, em paz consigo, com o acaso, com os erros, com os outros, com o mundo.

A vida não têm que ser nada do que eu espero, ela simplesmente É, e esse eu que hoje sou, não é permanente para ter que ser, e também não é constante para nunca ser. 

E respondendo ao antigo “eu” do texto “Primeira Lei de Newton” de dezembro de 2012:

Chegou esse dia! A inércia é resistente a aceleração, agora é paz, é serenidade, você está inerte no movimente constante e mesmo que forças externas anseiam pelo teu repouso, faça seu mundo girar há força contigo!