Publicado em DIÁRIO DE BORDO, DIÁRIOS DE VIDA

Amanheceu….

Quando este post sair, vou estar viajando, voando rumo ao sul, como os pássaros migrantes, procurando novos verões para construir.

Passei a tarde andando pelo centro de Teresina, suando, com calor, mas tudo parecia tão bonito, tão calmo, tão quente e confortável. Pelos caminhos conhecidos que o escort sabe decorado, as ruas, avenidas, nos abraços familiares, nos guiamos com segurança, neste último dia desse ciclo que se encerra.

Atirei me no abismo e mais uma vez Teresina e seu horizonte brilhante fica para trás, e em mim amanhece raios de sol que guiam minhas asas para armar meu ninho em um novo lugar.

Amanheci para um novo horizonte …

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Publicado em DIÁRIOS DE VIDA

Minha Inércia no movimento constante

Inércia - s.f. 1.Fís. resistência que a matéria oferece à aceleração. 
2.quím. propriedade que possui uma substância de não reagir em contato com outra.

Do último texto aqui escrito até agora foram quase 3 anos. Entrei num redemoinho confuso e escuro de uma tempestade que hoje, são apenas lembranças de um dolorido processo de autoconhecimento. A tempestade começou se esvair aos poucos durante o tratamento da minha crise de ansiedade, em que fui obrigada a lidar com meus fantasmas, entre ansiolíticos, diários de sono, infindáveis desabafos em cartas para um eu despedaçado, além de seções na psicóloga acompanhada das pernas que não paravam de sacudir, fui obrigada a desacelerar, a reconsiderar minhas crenças deturpadas, a perceber quão tóxica eu estava sendo pra minha saúde, quão isolada do mundo eu estava me tornando, quão arisca eu estava, quanto o medo tinha me transformado em uma fantasmagórica figura eremita.

Houve um tempo de obsessões que eu sentia a necessidade de controlar tudo, de ter tudo sob a minha supervisão de gostar das coisas com tanto fervor como se fosse a última coisa que eu teria naquela hora, de punhos cerrados, presa em apegos infindáveis, perdida em certezas indeléveis, trancada na ilusão de ser o que o mundo diz ser legal. Ansiosa, obsessiva, compulsiva, vagava como um ser errante calada, nas minhas próprias celas, pairava afogada em amores platônicos, em desejos sufocantes, cega e sem amor próprio, ansiando pela aprovação alheia, acelerada, urgente.

Tinha pavor de ser julgada por aquilo que era e pelo que não era, pela minha loucura intrínseca, pelos desejos instintivos, pela minha face nua sem fantasias, pela aparência efêmera que carregava no momento. No fim, depois de reclusa dentro da minha loucura, me vi, perdoei, me enxerguei, sem véus, sem camadas, estou nesse mundo para dar cara a tapa, mas não foi uma resolução de um dia para o outro, foram três anos de um processo dolorido, pra todos a minha volta, para minha vida acadêmica, para a minha saúde, para minha sanidade, mas que no fim realmente me libertou. Sinto –me LIVRE 

Dos punhos cerrados, lentamente estendi minha mão para a vida, para o acaso, outras possibilidades, para o amor genuíno, para novas realidades, hoje me sinto viva, tranquila, sem sobressaltos, na época acreditava que nunca teria paz, que sempre seria um sufoco atrás do outro, que a vida TINHA que ser assim, TINHA que ser de acordo com minhas ilusões, minha expectativas. Ah! e como eu estava errada! Como me guiei por falácias distorcidas! Como é bom viver serenamente, em paz consigo, com o acaso, com os erros, com os outros, com o mundo.

A vida não têm que ser nada do que eu espero, ela simplesmente É, e esse eu que hoje sou, não é permanente para ter que ser, e também não é constante para nunca ser. 

E respondendo ao antigo “eu” do texto “Primeira Lei de Newton” de dezembro de 2012:

Chegou esse dia! A inércia é resistente a aceleração, agora é paz, é serenidade, você está inerte no movimente constante e mesmo que forças externas anseiam pelo teu repouso, faça seu mundo girar há força contigo!

Publicado em DIÁRIOS DE VIDA

Vai Raina, ser gauche na vida!*

Era uma manhã mansa de janeiro, quando mais uma vez os vi partir para casa sem mim. Chorei e chorei desde antes de arrumarem todas as malas, era uma mistura de desespero, aflição e saudade. E mais uma vez me sentia excluída de alguma coisa, era como se eu me distanciasse daquilo que conhecia e mesmo depois de dois anos a sensação de abandono permanecia.

Somos um time, sempre fazemos coisas juntos, com eles me sinto livre para me expressar, para expor o que penso. Eles me ensinam, me amam e era por essa angustia de ficar só, sem eles, pelos programas de índio, de sair de casa de manhã e voltar de madrugada exaustos depois de rodar metade da cidade com o scort verdinho 91 (e que nesse dia também estava presente) aumentou ainda mais o meu choro, meu apego.

Mas o que mais marcou nesse dia, foi o que meu pai disse ao me abraçar:

– Não fica assim Raina, é isso que faz a gente crescer!

E eu chorei mais uma vez por ter que concordar, era preciso crescer, aprender a conviver com isso. Vou confessar que foi bom ter que lidar com isso tudo tão cedo, realmente me deu independência, me deixou mais segura. Foram tantas rupturas, tanto recomeço que já não tenho medo de mudar, de descobrir novos caminhos, de receber um não. Tenho plena consciência de que nada é eterno e o que vier a gente aguenta.

Não adianta se lamentar, ficar pelos cantos chorando e foi por isso que ao ver as pessoas que mais amo no mundo sumindo na esquina que prometi pra mim que ia enfeitar meus dias de alegria e andar com os pés em folia pelos dias enfim.

O sacrifício de nos mantermos longe faz parte do processo e que essa dorzinha que mora no meu peito, já não machuca é só uma lembrança boa do amor imenso que tenho e é isso que me faz sorrir e me deixa seguir em frente.

O engraçado é que a gente nunca percebe que está crescendo e aí num dia qualquer descobrimos que alguma coisa está diferente, que a imagem no espelho já não é a mesma, e que as vontades e desejos mudaram,  que o horizonte a ser conquistado está cada vez mais distante, e o peso das responsabilidades que recai nos ombros pedem uma nova postura, uma nova maneira de ver o mundo.

E ser Feliz pra mim não é uma busca é uma opção de vida.

*O título é em referência ao Poema de sete faces de Carlos Drummond de Andrade.