Publicado em FILOSOFANDO

Ser enquanto vamos sendo….

Adoro observar as pessoas quando fico em estado de espera (é mais fácil estar atrasada, mas…), fico imaginado como elas pensam, quais os seus sonhos, o que elas esperam da vida. Gosto de observar seus gestos, como conversam e isso sempre me distrai, me tiram da agonia da espera. Sempre fui só, não por falta de amigos ou por não gostar de estar com eles, é que sempre tive uma conversa infinita na mente e acabava tragada nos meus próprios pensamentos.
Agora que me percebi viva nesse mundo enorme, tento interagir mais e não apenas observar, nem me fechar para os amigos, agora tô falante, converso com desconhecidos, em bancos, paradas de ônibus, filas e em qualquer lugar burocrático onde a espera interminável reina. Gosto desse contato com outros mundos, outras cabeças, com velhinhas gentis com um cotidiano manso…
Passei anos sem dizer o que realmente sentia, com medo de ser, medo da não aceitação dos outros, mas vi que tudo isso era por causa de um detalhe que eu não queria ver, eu não me aceitava, nem tinha coragem de aceitar minha estranheza, minhas loucuras do jeito que são, seguia tentando me encaixar nessa bagunça, vivia com discursos soltos sem prática. Depois de tanta tempestade na minha cabeça, agora não me calo com minhas opiniões, exponho, às vezes mudo de ideia, às vezes não mudo, estou reduzido o discurso e me preocupando com a prática, sem pressa, com uma coisa de cada vez, entendo que cada um tem seu ponto de vista, tem uma opinião e que não há nada certo nesse mundo. E cada um no caminho que acredita, que seja melhor para si. Defendo o que acredito com fervor, não para obrigar ninguém a seguir, nem atacar, mas reafirmar para mim, que a minha vida tem que ser resultado daquilo que eu acredito e de vez em quando temos o direito de mudar, e as opiniões podem não ter a mesma certeza, que estamos evoluindo e mudando os pontos de vista
E reconhecer o seu EU e respeitar a sua essência é se permitir a mudança que a vida traz e abraçar sem medo.

Publicado em FILOSOFANDO

Where you come from? Where you going?

Tarde quente com sol numa carona no meio do nada, no rádio Venice Queen do Red Hot e naquele carro com o mesmo estofado do Escort a playList favorita dos quinze anos ecoa….

Does it go from east to west
Body free and a body less

Sentimentos para além do que os ouvidos podem ouvir e cada pedaço da letra chega e transporta em seus acordes a vibração certa para os pensamentos seguirem em uma nova direção e cada palavra surge como conselhos de um tempo passado, forçando a refletir sobre o que esperar desse presente no futuro.

Come again just to start afresh
Once again to find a home
In the moment of the meantime

Escolhemos ou as escolha nos fazem? Queremos ou nos iludimos num querer superficial?  No meio da confusão, quem somos? O que nesse espaço de tempo é a vontade de apenas ser o que se é?

Dropping in coming through the mesh, you’re
Checking in just to get it blessed, you all

Quando se rema para longe do que é intrínseco, da vida que se deve viver, sentimos arrastar as correntes da angústia, do medo, da falsa paz sufocante que engana, enreda como mágica os frágeis e complexos seres sem luz.

Hard to leave when it’s picturesque and
Find a form that’s free to roam

Do impulso de ir, a vontade de continuar, e girar em si mais um passo na direção da estrada infinita do que virá… Quando a resposta é sim para o que mais se deseja, porque o medo de continuar?

Where you come from…. Where you’re going….

Não há mais nada, nada que prenda, nada que segure se teu destino é ir…Vai! É só seguir… Vai na fé!

Publicado em COISAS DO MUNDO, FILOSOFANDO

Deixa ser, deixe estar…

Quando pensamos demais, ou racionalizamos demais todas as coisas, vamos contaminando a mente com ilusões, com falácias, vamos tentando controlar tudo o que acontece na nossa vida. E aí reside toda sorte de comportamentos negativos, das decepções, dos mal entendidos. Sempre julgamos com as lentes sujas, cheias de ego e de orgulho ferido. Quando se pensa, pensa e pensa que se sabe alguma coisa de si, da vida ou dos outro, sofre, sofre por ter que encarar que na realidade é só mais uma pessoa solitária e perdida na imensidão.

Deixa ser, deixe – se, descontrole-se!!

Deixa as pessoas e você serem o que são, sem tantos julgamentos desnecessários. A pessoas não precisam ser adivinhadas ou descobertas, basta compreensão daquilo que se é, sem ilusão, sem muitas expectativas ou rótulos.

Só a vida a fluir como é…Em todas as dimensões.

Publicado em FILOSOFANDO

No labirinto de Escher

Às vezes padecemos na nossa própria loucura, deixamos que ilusões doentias tomem conta da nossa razão. Percebemos nossa humanidade errando, reencontrando nossa fragilidade em dias confusos e pertubadores, quando a sanidade mostra sua face insana. E Mesmo quando a vergonha, nos humilha e a culpa nos corrói,  somos obrigados a continuar, a pagar o preço pelos nossos equívocos. Temos que mostrar nossa face nua, humana e cheia de contradições, não adianta se esconder, não adianta fugir, nossos fantasmas nos perseguem.

A nossa mente se contamina com seus próprios venenos, ela nos corrompe, nos trapaceia. Mostra verdades inexistentes, constroí castelos de ar e cria realidades alternativas. Somos conduzidos por ela a escuros labirintos solitários cheios de angustias, medo e dor. A dor de vencer seus próprios monstros, é a mais pesada, mais pertubadora e constante.

Parecemos estar presos numa obra de Escher, onde nada é o que parece ser, não há caminhos certos ou errados é só a ilusão que reina e o impossivel que se apresenta como uma possibilidade controversa, onde nossos sentidos são enganados e os nossos olhos cegos.

Publicado em FILOSOFANDO

Primeira Lei de Newton

“Lei I: Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças aplicadas sobre ele.”

Nunca somos um eu só, nunca somos um eu coerente, sempre constante, às vezes nem somos quem gostaríamos de ser.

Vivemos em contradição, vivemos na busca por um sentido pra tudo, na busca pela razão. Queremos estar inseridos em algum canto do mundo. Queremos ser amados, respeitados ou temidos, queremos de alguma forma estar na lembrança das pessoas, buscamos ser reconhecidos, celebrados, mesmo que seja apenas de forma virtual nas redes sociais. Ansiamos para que nos curtam, comentem nossas vidas, compartilhem de nossos gostos, que nos insiram em seus círculos, que sigam nossas ideias.

Mas somos realmente quem queremos ser? Deixamos que vejam quem realmente somos? Ou nos deixamos levar pelas expectativas alheias a nosso respeito? A fazer o que esperam que faremos? Ou fazer o que os outros acreditam que seja o melhor? Os seus sonhos são realmente seus?

Ninguém faz nada que não queira, não adianta dizer que não se tem escolha, sempre poderemos optar. Mas vivemos paralisados dizendo sim quando deveríamos dizer não, com receio do que vão pensar, do que vão dizer. Para não magoar nos magoamos, para não errar não fazemos, para não parecer fraco demais não choramos. Vamos deixando que a inércia tome conta dos nossos dias, e continuamos sentados reclamando da vida, questionando a sorte, exigindo mais movimento, mas não nos movemos, continuamos ali sentados, petrificados no mesmo canto, contando as mesmas histórias. Vemos a vida passar por entre os dedos, os dias correrem apressados nas folhas do calendário, vemos o nosso corpo clamar cansado por mais feriado.

Haverá sempre o dia em que você se cansa, e cansa de ser o você que todos esperam que seja, e chega o dia em que se faz tudo o que se deseja, sem ter que se preocupar, com o que vão pensar ou dizer. Criam tanta expectativa no nosso sucesso, ou no nosso comportamento, que não nos permitem mudar, é uma pressão sem palavras, silenciosa e amarga que nos prendem em vontades alheias e em expectativas sufocantes. Ás vezes dá vontade de fugir e fazer alguma loucura impensada, sair de repente no desconhecido, a esmo. Mas continuo aqui, nessa acomodação temporária, sentada no próprio quarto reclamando da pressão de ser um eu desconhecido e de jogar no mundo a responsabilidade de manter as amarras. Sendo ao mesmo tempo cárcere e carcereiro, mantendo as janelas fechadas, não se permitindo voar alto, fugindo do salto, das decisões, fugindo da vida.

Mas haverá esse dia e eu vou parar de procurar por uma Força externa que me movimente a vida e que faça meu mundo girar. Vou fazê-lo girar com minhas próprias pernas  sair do repouso e ficar inerte num movimento constante.