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E no abraço fez morada…

O dia se fez e a angústia já estava ali. Na inquietude, acuada e presa em coisas que não queria fazer, no desânimo de tudo, parecia que tudo o que gostava era falso não era para si, era só pra mostrar aos outros, para que a aceitassem, mas aquilo tudo era estranho, hostil, ela não estava ali, doía ver a imagem no espelho mas era o que queriam dela, e como dói se negar a existência.
Era mais uma manhã tumultuada, sufocante, com um nó na garganta e  sem dormir, ali inerte em um canto, gritando para ficar só, mas clamando silenciosamente por um abraço.

Silenciosas dores de amargos e solitarios caminhos internos.

Uma mão se estende. Dessa mão o braço que laça a solidão e sufoca num abraço a dor que mora no peito.
Tinha medo! não chegue muito perto, esse coração cheio de espinhos pode te machucar, não quer te ver sofrer pelos cacos que se tornou, não quer que a tempestade de sua vida te perturbe. Vá embora! Se proteja!
Ei, espera, fica!  Ternos braços que abraçam, levem essa dor para longe, não vai, aperta mais, não solta, não a deixe solta.
Deixa ela morar no teu abraço.

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Você tem medo de quê?

O medo sempre nos paralisa, e eu tenho tanto medo de ter medo, e por passar tanto tempo me escondendo, tanto tempo ficando calada por aquilo que sentia, que hoje já não consigo guardar o que sinto, tenho que escrever, falar, demonstrar, não suporto guarda-lo só pra mim. Às vezes, é meio egoísta da minha parte, muitas pessoas não sabem lidar com os próprios sentimentos, como obriga-las a lidar com os meus? Mas aí aparece o medo de novo, eu tenho medo de não existir outra oportunidade, de não haver outra chance, e ter que segurar todo aquele sentimento em mim como sempre fiz. Por passar por tantas mudanças, eu sempre acredito que amanhã tudo pode ser diferente, tudo pode mudar, e que não vai haver outra chance.

Miedo

Todo mundo, me aconselha a ter paciência, me dizem para dar tempo ao tempo, ser menos ansiosa, ficar calma, esperar, mas não é por falta de vontade que já não fiz isso, tenho consciência que essa pressa me atrapalha, por mais racional que eu às vezes acredite que seja, meus impulsos me jogam contra os fatos. Ter medo é normal, nos salva de muitas coisas, mas quando nos paralisa e deixa sem ação atrapalha, já entrei em crise por causa disso, cogitei seriamente uma ida ao psicólogo, cheguei a um ponto de não conseguir sair de casa. E tudo isso em silêncio, sem dizer nada pra ninguém e acreditem é a pior coisa que há. É como carregar o peso do mundo nas costas, até que percebi que é um sofrimento desnecessário, que nunca evoluiria ficando assim, angustiada, petrificada, calada…

Eu tinha medo de demostrar fraqueza, de parecer tola por medos tão pequenos ou de que alguém me machucasse por saber meus pontos fracos. Mas só caímos num abismo sentimental, quando nos deixamos cair, quando não compreendemos o que sentimos ou quando escondemos inclusive de nós mesmos o que dói, o que deixa feliz ou o que nos causa angústia e isso por medo de ser fraco demais, tolo demais, ou muito sentimental. Acredito que seja assim mesmo, ficar confuso, com medo, sem saber aonde ir, é a vida, vamos crescendo devagar, sem manual, sem certeza de nada, vendo o tempo passar incerto pelos dias a fora. Não guardo mais o que sinto, digo logo, exponho, eu não espero retorno e nem que sejam correspondidos, já fico feliz por sentir, por tentar compreendê-los e por conseguir expor pra alguém. Já sofri demais sem saber o que sentia e sem deixar que soubessem.

Sou nova demais, nada sei da vida, mas acho que tudo deve ser sereno, e os dias devem correr tranquilos e mansos. Sei que há realmente tempo pra tudo, tenho a mania de querer respostas, de querer saber de tudo, de não deixar o tempo passar. Sufoco-me com minha pressa, com o medo de que amanhã tudo vai mudar, não dou espaço para dar um passo de cada vez. Uma hora eu paro de ter tanta urgência, de ter tanta certeza, mas por enquanto vou me levantando dos meus tropeços, me despindo desses medos, e do silêncio mortal dos meus sentimentos. Eu cansei de ter medo, não do medo normal, mas o que me travava e não me deixava falar o que eu sinto, por isso digo logo e  é tão libertador tirar todo esse peso das costas.

Sempre pensamos que controlamos nossas vidas, que somos os donos do nosso caminho, aí basta alguma ilusão nos encher de expectativas, que acreditamos que controlamos tudo o que acontece, e a verdade é que não controlamos nem nossos impulsos, o que dirá um caminho inteiro. Não há como controlar o que nos acontece, o que podemos fazer é saber como se portar diante das circunstâncias. Vão nos atormentar, nos julgar, ou nos difamar, e não importa o que nos fazem, mas como reagimos a tudo isso e se seremos as vítimas das circunstâncias ou comandantes do nosso próprio caminho. Se os fatos externos vão nos derrubar ou nos fortalecer é a gente que escolhe. É como enfrentar uma tempestade, não se pode impedi-la de acontecer, mas podemos reforçar o barco para enfrenta-la, e tentar se manter vivo.

Um dia se aprende, mas é devagar e com o passar do tempo, não tem jeito.