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E no abraço fez morada…

O dia se fez e a angústia já estava ali. Na inquietude, acuada e presa em coisas que não queria fazer, no desânimo de tudo, parecia que tudo o que gostava era falso não era para si, era só pra mostrar aos outros, para que a aceitassem, mas aquilo tudo era estranho, hostil, ela não estava ali, doía ver a imagem no espelho mas era o que queriam dela, e como dói se negar a existência.
Era mais uma manhã tumultuada, sufocante, com um nó na garganta e  sem dormir, ali inerte em um canto, gritando para ficar só, mas clamando silenciosamente por um abraço.

Silenciosas dores de amargos e solitarios caminhos internos.

Uma mão se estende. Dessa mão o braço que laça a solidão e sufoca num abraço a dor que mora no peito.
Tinha medo! não chegue muito perto, esse coração cheio de espinhos pode te machucar, não quer te ver sofrer pelos cacos que se tornou, não quer que a tempestade de sua vida te perturbe. Vá embora! Se proteja!
Ei, espera, fica!  Ternos braços que abraçam, levem essa dor para longe, não vai, aperta mais, não solta, não a deixe solta.
Deixa ela morar no teu abraço.