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E no abraço fez morada…

O dia se fez e a angústia já estava ali. Na inquietude, acuada e presa em coisas que não queria fazer, no desânimo de tudo, parecia que tudo o que gostava era falso não era para si, era só pra mostrar aos outros, para que a aceitassem, mas aquilo tudo era estranho, hostil, ela não estava ali, doía ver a imagem no espelho mas era o que queriam dela, e como dói se negar a existência.
Era mais uma manhã tumultuada, sufocante, com um nó na garganta e  sem dormir, ali inerte em um canto, gritando para ficar só, mas clamando silenciosamente por um abraço.

Silenciosas dores de amargos e solitarios caminhos internos.

Uma mão se estende. Dessa mão o braço que laça a solidão e sufoca num abraço a dor que mora no peito.
Tinha medo! não chegue muito perto, esse coração cheio de espinhos pode te machucar, não quer te ver sofrer pelos cacos que se tornou, não quer que a tempestade de sua vida te perturbe. Vá embora! Se proteja!
Ei, espera, fica!  Ternos braços que abraçam, levem essa dor para longe, não vai, aperta mais, não solta, não a deixe solta.
Deixa ela morar no teu abraço.

Publicado em DIÁRIOS DE VIDA

Minha Inércia no movimento constante

Inércia - s.f. 1.Fís. resistência que a matéria oferece à aceleração. 
2.quím. propriedade que possui uma substância de não reagir em contato com outra.

Do último texto aqui escrito até agora foram quase 3 anos. Entrei num redemoinho confuso e escuro de uma tempestade que hoje, são apenas lembranças de um dolorido processo de autoconhecimento. A tempestade começou se esvair aos poucos durante o tratamento da minha crise de ansiedade, em que fui obrigada a lidar com meus fantasmas, entre ansiolíticos, diários de sono, infindáveis desabafos em cartas para um eu despedaçado, além de seções na psicóloga acompanhada das pernas que não paravam de sacudir, fui obrigada a desacelerar, a reconsiderar minhas crenças deturpadas, a perceber quão tóxica eu estava sendo pra minha saúde, quão isolada do mundo eu estava me tornando, quão arisca eu estava, quanto o medo tinha me transformado em uma fantasmagórica figura eremita.

Houve um tempo de obsessões que eu sentia a necessidade de controlar tudo, de ter tudo sob a minha supervisão de gostar das coisas com tanto fervor como se fosse a última coisa que eu teria naquela hora, de punhos cerrados, presa em apegos infindáveis, perdida em certezas indeléveis, trancada na ilusão de ser o que o mundo diz ser legal. Ansiosa, obsessiva, compulsiva, vagava como um ser errante calada, nas minhas próprias celas, pairava afogada em amores platônicos, em desejos sufocantes, cega e sem amor próprio, ansiando pela aprovação alheia, acelerada, urgente.

Tinha pavor de ser julgada por aquilo que era e pelo que não era, pela minha loucura intrínseca, pelos desejos instintivos, pela minha face nua sem fantasias, pela aparência efêmera que carregava no momento. No fim, depois de reclusa dentro da minha loucura, me vi, perdoei, me enxerguei, sem véus, sem camadas, estou nesse mundo para dar cara a tapa, mas não foi uma resolução de um dia para o outro, foram três anos de um processo dolorido, pra todos a minha volta, para minha vida acadêmica, para a minha saúde, para minha sanidade, mas que no fim realmente me libertou. Sinto –me LIVRE 

Dos punhos cerrados, lentamente estendi minha mão para a vida, para o acaso, outras possibilidades, para o amor genuíno, para novas realidades, hoje me sinto viva, tranquila, sem sobressaltos, na época acreditava que nunca teria paz, que sempre seria um sufoco atrás do outro, que a vida TINHA que ser assim, TINHA que ser de acordo com minhas ilusões, minha expectativas. Ah! e como eu estava errada! Como me guiei por falácias distorcidas! Como é bom viver serenamente, em paz consigo, com o acaso, com os erros, com os outros, com o mundo.

A vida não têm que ser nada do que eu espero, ela simplesmente É, e esse eu que hoje sou, não é permanente para ter que ser, e também não é constante para nunca ser. 

E respondendo ao antigo “eu” do texto “Primeira Lei de Newton” de dezembro de 2012:

Chegou esse dia! A inércia é resistente a aceleração, agora é paz, é serenidade, você está inerte no movimente constante e mesmo que forças externas anseiam pelo teu repouso, faça seu mundo girar há força contigo!

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Cadê meu botão de pause?

Depois de milhares (tudo bem eram só 12, eu contei) de abas do navegador abertas e o dia amanhecendo. Percebo que mais uma vez não terminei nada, mais um texto pela metade, mais um vídeo pela metade, mais trabalhos pendentes para resolver. As pernas continuam seus sacolejos, e esse parágrafo foi escrito entre muitas idas e vindas em todas as abas, em imagens bestas de sites de humor, em inscrições em cursos online, no cantarolar de alguma música na minha cabeça, cheio de pensamentos desconexos, brilhosos e confusos.

Hoje já tentei tocar 3 músicas no violão, mas não me fixei em nenhuma delas, batuquei alguma coisa e deixei ele de lado. Juntei meus textos aleatórios num canto só, abri um caderno, mas não terminei o que tinha proposto mentalmente.

Lembro-me de alguma coisa e meu foco muda totalmente….

[… página 50… nossa que louca essa foto kkkk…. será que tem cuscuz pronto…ai ai ai tenho que terminar aqueles textos pra terça… “are you there?”… acho que eu tô esquecendo alguma coisa?…será que eu escovei os dentes?…será que os marcianos são verdes mesmo?…Ahh a música das férias!! (imagens e mais imagens das férias)…nossa preciso compartilhar essa foto no face haha muito engraçada…que música grande aff…como era mesmo o nome daquele filme que eu queria ver?… falando nisso tenho que terminar de ver aquele filme de novo… minhas costas estão em fandangos…preciso arrumar a mesa do computador ela tá uma bagunça…preciso fazer esse download… porque que essas pernas não param de sacudir?… AHHHH! UJKHIJIJK (joguei alguma coisa longe)…. Droga! me irritei de novo….O que eu ia fazer mesmo?… ahh ia tomar banho!! ]

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Cadê meu botão de pause?

Parece que nunca ando em “slow”…parece que sempre tô fazerndo algo, procurando algo pra fazer… ou alguma coisa por terminar, nunca nada finda, nada cessa, é tudo em movimento, é só outra coisa no lugar que nunca ta vazio, é tudo sem tempo, tudo no limite, em cima do prazo.

Sempre tento mudar, de hoje não vai passar! Mas o hoje passa mais uma vez e outra vez fiz tudo e não terminei nada, mais uma vez não cumpri minhas próprias promessas, quebrei meus próprios acordos.

Ah! já é um novo dia, hora das novas promessas, hora de recomeçar. De que adianta chorar? Se lamentar pelo tempo passado, pela hora perdida ou pela luta vã de tentar mudar? Um dia vai dar certo, um dia eu chego na hora certa, entrego antes do prazo e meus nervos param de se exaltar!

Publicado em CONFESSIONÁRIO

O brilho eterno de estrelas mortas

Adoro quando alguns filmes me deixam pensativa, quando o fim da tela não é suficiente para o meu cérebro. Gosto de ter essa sensação de pequenez, na qual se descobre que o mundo é muito maior e mais misterioso do que nossos olhos se acostumaram a ver.

Sempre fui muito questionadora e às vezes muito cética em relação a crenças e superstições, e muitas vezes racional demais, sempre analisando os fatos, as situações, querendo saber de tudo. E como todo mundo a temer a morte, a pensar nela como um monstro devorador de vidas. E outras vezes a procurar o sentido de tudo, qual a razão de estarmos vivos? O porquê de vivermos se no fim todos morreremos? Pode parecer uma constatação pessimista, mas não é!

Depois de tantas “viagens” percebemos que não precisamos entender a razão de tudo, não precisamos da certeza dos Deuses para acreditar neles. O melhor da vida está nos seus mistérios infinitos, nas perguntas sem respostas e nos pequenos, mas mágicos detalhes que nos perseguem.

É como o cintilar eterno das estrelas que nos enchem de brilho mesmo depois de mortas a milhares de anos-luz.

 

A morte de uma estrela
Supernova Kepler