Publicado em FILOSOFANDO

Where you come from? Where you going?

Tarde quente com sol numa carona no meio do nada, no rádio Venice Queen do Red Hot e naquele carro com o mesmo estofado do Escort a playList favorita dos quinze anos ecoa….

Does it go from east to west
Body free and a body less

Sentimentos para além do que os ouvidos podem ouvir e cada pedaço da letra chega e transporta em seus acordes a vibração certa para os pensamentos seguirem em uma nova direção e cada palavra surge como conselhos de um tempo passado, forçando a refletir sobre o que esperar desse presente no futuro.

Come again just to start afresh
Once again to find a home
In the moment of the meantime

Escolhemos ou as escolha nos fazem? Queremos ou nos iludimos num querer superficial?  No meio da confusão, quem somos? O que nesse espaço de tempo é a vontade de apenas ser o que se é?

Dropping in coming through the mesh, you’re
Checking in just to get it blessed, you all

Quando se rema para longe do que é intrínseco, da vida que se deve viver, sentimos arrastar as correntes da angústia, do medo, da falsa paz sufocante que engana, enreda como mágica os frágeis e complexos seres sem luz.

Hard to leave when it’s picturesque and
Find a form that’s free to roam

Do impulso de ir, a vontade de continuar, e girar em si mais um passo na direção da estrada infinita do que virá… Quando a resposta é sim para o que mais se deseja, porque o medo de continuar?

Where you come from…. Where you’re going….

Não há mais nada, nada que prenda, nada que segure se teu destino é ir…Vai! É só seguir… Vai na fé!

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Publicado em COISAS DO MUNDO

VAI TER CONSCIÊNCIA NEGRA SIM!

“Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar.” Carlos Drummond de Andrade.

O que é ser diferente? O que é ser normal? Qual o parâmetro para saber que alguém seja diferente? Quem disse? Quem sabe? Qual a verdade?

Porque que é tão difícil da gente entender que vive no mesmo mundo, somos da mesma espécie, e temos os mesmos sentimentos. Ás vezes, temos a mania de apontar, julgar e sermos hipócritas o suficiente, para nos acharmos superior a qualquer outro ser humano. Inventamos classes invisíveis, onde um ser é melhor do que outro, onde os erros dos outros sempre são mais graves, nós criamos leis imutáveis de conduta, de regras, de jeito de ser. Parece sempre que devemos nos adequar ao padrão. Mas quem inventou essa história de padrão? Que padrão é esse?

Somos todos iguais, mas em essência, em humanidade, em sentimentos. Somos um pouquinho do pai, um detalhe da mãe, alguma coisa de um parente distante. Ás vezes somos negros, ás vezes somos brancos, uns com olhos puxados, outros com olhos azuis, temos os cabelos ondulados, lisos, crespos ou cacheados. E quem foi que disse que uma característica é melhor que outra? Imaginem que triste seria se todos nós fôssemos realmente iguais, com o mesmo pensamento, as mesmas opiniões, o mesmo modo de ser? O mundo seria sem graça, sem cor, sem vida e a gente podia se reproduzir sozinho igual uma bactéria, criando outro ser igual. Pra quê misturar os genes se fôssemos todos iguais? Se assim fosse, perderíamos o essencial do que é SER humano, do que é o respeito, do que é o amor.

Aceitar uma opinião favorável é fácil, mas ouvir uma opinião contrária é difícil, todos nós queremos estar certos e ser o dono da razão. Perdemos muito tempo discutindo, qual ponto de vista é melhor, e às vezes defendemos uma causa ofendendo outra, sendo assim, iguais no ódio e no preconceito.

Para ilustrar melhor tem esse rap do Sabotage. “Cabeça de nego”

(Não gosta de rap? Que tal experimentar uma coisa nova hoje? Presta atenção na poesia dele, dê essa chance pra você.)

Hoje é o dia da consciência negra, mas acho que Zumbi quando foi morto, não queria que toda a sua luta se resumisse em um dia, e apesar de terem se passado 317 (320) anos de sua morte ainda tem gente que acha que há alguma diferença em ser negro, ainda há o desrespeito, a inferiorização. Porque não há um dia, em que nós nos lembramos de que somos humanos, se tivéssemos a consciência de nossa humanidade, do respeito com as outras pessoas, não precisaria de um dia só para os negros, ou só para as mulheres, ou só para os índios. Seria somente um ser humano, como todos os outros que é e que acredita em coisas diferentes.

E a questão não é aceitar aquilo que é diferente,  é só “ manter o respeito e ponto final.”

P.S. Atualização 20/11/2015

Vai ter consciência Negra sim! Escrevi esse texto em 2012 e como todo ser errante e em constante evolução, mudei, revi os meus conceitos. Por causa da falta de representatividade negra num texto sobre a consciência de ser negro nesse país, que eu não percebi há três anos, resolvi acrescentar agora e modificar algumas coisas, o titulo anterior era “Cadê o dia da consciência humana?” hoje entendo a importância de se destacar, exaltar e gritar aos quatro ventos o orgulho de SER negrx dar voz, além de resgatar nossas raízes que tanto sofreram e sofrem com essa ignorância e racismo tão inútil e sem sentido. Não corrigi o texto para respeitar o meu registro de pensamento daquele tempo, por isso só troquei a música que estava de exemplo e o título. E ainda destaco:

Vai ter cota sim! 

Vai ter marcha das mulheres negras sim!

Vai ter religião de matriz africana sim!

Vai ter história africana e afro-brasileira nas escolas sim!

E essa luta é de todos nós contra essa onda intolerante e criminosa que não pode ficar impune.